Macros no LibreOffice: uma base conceitual
Macros no LibreOffice são pequenos programas que permitem automatizar tarefas, estender funcionalidades e integrar a suíte com recursos externos. Elas podem ser usadas para desde ações simples — como preencher células, formatar planilhas ou criar botões — até soluções mais avançadas, como consumo de APIs, integração com bancos de dados e execução de scripts externos.
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| Fonte: https://br.freepik.com/ |
No contexto deste artigo, as macros são o elemento central que possibilita transformar o LibreOffice Calc em uma ferramenta poderosa para análise de dados financeiros e integração com inteligência artificial, como o ChatGPT.
O LibreOffice oferece suporte nativo a diferentes linguagens de macro, sendo as principais:
• LibreOffice Basic (uma variação moderna do BASIC, fortemente integrada à API UNO) e
• Python (via ScriptForge, APSO e suporte nativo)
Este artigo apresenta uma visão geral da arquitetura de macros, conceitos fundamentais e boas práticas, preparando o terreno quem deseja entrar em detalhes mais específicos de Basic e Python.
A arquitetura de macros no LibreOffice
O LibreOffice é construído sobre a UNO (Universal Network Objects), uma arquitetura de componentes que permite que diferentes linguagens interajam com os mesmos serviços internos da suíte.
Isso significa que, independentemente de você usar Basic ou Python, no final das contas estará acessando os mesmos objetos:
• Documentos (Calc, Writer, Impress, etc.),
• Planilhas e células,
• Estilos,
• Menus, barras de ferramentas e
• Serviços como diálogo, arquivos, rede, entre outros.
A diferença está na linguagem, na ergonomia do código e no ecossistema de bibliotecas disponíveis.
De forma simplificada:
• O LibreOffice fornece a infraestrutura (UNO),
• As macros são clientes dessa infraestrutura e
• Basic e Python são apenas duas formas diferentes de conversar com os mesmos serviços.
Onde as macros ficam armazenadas
As macros no LibreOffice podem existir em três níveis principais:
Macros do usuário
Ficam disponíveis para todos os documentos do usuário atual.
• São ideais para funções reutilizáveis,
• Facilitam padronização e
• Podem ser versionadas externamente.
Normalmente ficam organizadas em:
• Minhas Macros
◦ LibreOffice Basic
◦ Python
Macros do documento
Ficam embutidas diretamente no arquivo (.ods, .odt, etc.).
• Viajam junto com o documento,
• Ideais para planilhas que serão distribuídas e
• Exigem atenção especial à segurança.
Macros da aplicação
Macros internas do LibreOffice.
Segurança e nível de confiança
Macros são código executável e, por isso, representam um risco potencial. O LibreOffice adota um modelo de segurança baseado em níveis de confiança:
• Macros desabilitadas,
• Macros habilitadas com confirmação e
• Macros sempre habilitadas (para locais confiáveis).
Para trabalhar com macros de forma produtiva, é altamente recomendável:
• Definir pastas confiáveis para seus projetos,
• Evitar habilitar macros indiscriminadamente e
• Separar ambientes de desenvolvimento e uso final.
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| Tela de Configuração de Segurança de Macros |
O LibreOffice fornece ferramentas diferentes dependendo da linguagem escolhida.
Editor de LibreOffice Basic
• Acessado via: Ferramentas → Macros → Organizar Macros → Basic,
• IDE simples, porém integrada,
• Depurador básico disponível e
• Forte integração com diálogos e formulários.
Editor de Python
• Suporte nativo a scripts Python,
• Integração com a extensão APSO (Alternative Python Script Organizer),
• Possibilidade de usar editores externos (VS Code, PyCharm, etc.).
O uso de Python permite maior produtividade, melhor organização de código e acesso a bibliotecas modernas, algo especialmente relevante quando lidamos com dados financeiros e APIs externas.
Organização de macros: pensando como um projeto
Um erro comum é tratar macros como pequenos trechos isolados de código. É fundamental que adotemos uma abordagem diferente: macros como projetos de software.
Boas práticas incluem:
• Separar lógica de negócio da interface,
• Criar módulos reutilizáveis,
• Usar nomes claros e consistentes e
• Documentar funções e parâmetros.
Mesmo em Basic, é possível (e recomendável) organizar macros em módulos com responsabilidades bem definidas.
Essa organização é essencial quando criamos macros sobre dados financeiros e integração com GPT, onde a complexidade cresce rapidamente.
Macros e automação financeira
No contexto financeiro, macros no LibreOffice permitem:
• Importar cotações de ativos,
• Atualizar dados automaticamente,
• Calcular indicadores,
• Criar relatórios dinâmicos e
• Integrar com APIs externas.
No entanto, existem limitações importantes:
• O ambiente de macro não é ideal para bibliotecas pesadas,
• Nem todas as dependências Python podem ser instaladas diretamente e
• Chamadas HTTP podem ser limitadas dependendo da linguagem.
Essas limitações explicam decisões arquiteturais, tais como o uso de scripts externos e comunicação entre processos.
Basic vs Python: quando usar cada um
Sem entrar ainda nos detalhes técnicos, algumas diretrizes gerais:
LibreOffice Basic:
• Excelente integração nativa,
• Curva de aprendizado menor para automações simples e
• Ideal para interação direta com o usuário (botões, diálogos).
Python:
• Código mais expressivo e legível,
• Ecossistema vasto (APIs, dados, IA) e
• Melhor manutenção a médio e longo prazo.
Considerações finais
Este artigo teve como objetivo criar uma base conceitual sólida sobre macros no LibreOffice, sem ainda mergulhar em código específico.
Se desejar ir mais a fundo nos detalhes e desafios da criação mesmo de macros tanto em Basic quanto em Python veja nosso e-book Dados Financeiros e ChatGPT com LibreOffice.
Ao longo do livro, você verá exemplos equivalentes em ambas as linguagens, permitindo comparar abordagens e tomar decisões técnicas mais conscientes.


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