Após concluir o curso de Engenharia vim para Santarém. Alguns sintomas do vírus começaram a se manifestar e eu senti a necessidade de comprar um microcomputador. Uma empresa de Belém ofereceu um curso de programação em linguagem BASIC na cidade e junto trouxe alguns micros para vender.
BASIC é uma linguagem criada para fins didáticos. Muitos microcomputadores, inclusive o IBM-PC, saiam de fábrica com BASIC embutido em uma memória ROM. O Visual Basic é um dos descendentes mais conhecidos do BASIC. Bem, entre os micros oferecidos pela empresa, o que eu podia comprar era o TK-85.
TK-85 era um micro com 16 Kbytes de memória RAM, que era ligado a um aparelho de TV, que servia de monitor, e para armazenar os programas e dados utilizava-se um gravador de fita cassete. As imagens eram em preto e branco. Tudo muito estranho para os nerds atuais, mas para um nerd da década de 80 era o máximo. Dava para aprender a programar em BASIC e fazer muitas experiências. Ah! Eu me divertia mesmo era programando em assembly, sempre gostei muito de programação em baixo nível. Consegui então um jogo de xadrez para rodar nele. Não havia suporte gráfico nesse micro. As peças do jogo de xadrez eram representadas pelas letras iniciais: peão era P, rei era K, e assim ia. Nos jogos de xadrez quando se aumenta o nível do jogo, o computador gasta mais tempo "pensando" em que jogada fazer. No TK-85, a partir de determinado nível, ele apagava a tela para poder ter mais recurso de CPU para "pensar". Pensem na minha angústia, imaginando se ele ainda ia voltar desse apagão. Depois eu vendi o TK-85 e um terreno para comprar um CP-400. Eu já fui mais louco que sou hoje. O
CP-400 tinha 64 Kbytes de memória RAM e suportava cores, gravador de fita cassete e disquetes de 5"1/4. Esse eu não tive oportunidade de programar, mas rodava BASIC também. No início de 1986 comecei a trabalhar na primeira empresa de informática de Santarém. Mas, devido minha formação em eletrônica, iniciei no setor de manutenção. Nesse mesmo ano fui a São Paulo fazer treinamentos. Passei uma semana na Prológica e uma semana na Magnex Eletrônica. É bom dizer que nessa época vigorava a reserva de mercado no Brasil, ou seja, não era possível importar, tudo era fabricado aqui. Então os fabricantes nacionais pegavam um micro importado, estudavam a coisa e faziam clones, nada perfeitos, mas eram clones. Hoje os fabricantes nacionais importam todas as peças, montam o micro e botam sua marca nele. Bem, voltei para Santarém. A empresa vendia dois modelos de computador, o CP-500 da Prológica, e outro da Magnex, que não recordo o nome. O
CP-500 era um desses clones, assim como o TK-85 e o CP-400. Tinha 48 Kbytes de memória RAM, monitor de fósforo verde, e dois drives de disquete de 5"1/4 com capacidade de 178 Kbytes cada um. Rodava os sistemas sistemas operacionais DOS 500 e SO08, compatível com o
CP/M. No CP/M dava pra executar um editor de textos chamado WordStar e um banco de dados chamado Dbase II. O computador da Magnex era multiusuário, aceitava terminais burros e usava HDs, sendo que os primeiros que instalamos tinham capacidade de 5 Mbytes e rodava CP/M. Poucos empresários apostavam nos computadores, então a empresa tinha poucos clientes. Sobrava tempo para eu me aventurar em outras atividades. Comecei a estudar a linguagem COBOL, muito usada naquela época para desenvolver aplicações comerciais. Mas essa parte da história será detalhada no próximo post.
0 Comentários